Arquivo da tag: fifa

Sou brasileira com muito orgulho, com muito amor

Copa

O Brasil perdeu a Copa do Mundo da Fifa 2014. Isto você já sabe. Contudo, o Brasil não perdeu no jogo contra a Alemanha por 7×1, na última terça-feira, 8 de julho. O Brasil perdeu muito antes, quando foi eleito para ser a sede do Mundial em 2014.

Em 2007, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que o Brasil não tinha nenhum estádio em condições de sediar a Copa. Mas na época, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o país estaria pronto e construiria 12 novos estádios.

O Brasil foi eleito. Bem, na verdade ele não foi eleito, porque Argentina e Colômbia, únicos países da América do Sul que chegaram a manifestar interesse para sediar o evento, desistiram. Em 2006, o Brasil foi escolhido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) como o único candidato do continente. O anúncio do Brasil como país-sede da Copa de 2014 foi feito em 2007 pela Fifa.

O Brasil perdeu porque não estava preparado para receber um evento de tamanha grandiosidade. Porque preferiu investir em estádios que em educação, saúde, transporte público. Em 2013, manifestantes tomaram as ruas de todo o país para protestar contra aumento de passagens e também sobre os gastos abusivos da Copa, entre outras insatisfações. Então, não haveria Copa? A imprensa internacional previa que os estádios não estariam prontos, os movimentos sociais ameaçariam o andamento dos jogos e o Brasil estaria um caos.

Foram sete anos para melhorar o transporte, ampliar aeroportos, estádios, construir obras de mobilidade. Mas a Copa começou com obras inacabadas em aeroportos, os estádios foram concluídos às pressas e estas obras superaram os orçamentos previstos. Um viaduto desabou em Belo Horizonte matando duas pessoas e deixando outras feridas. E quando a lesão do Neymar na partida das quartas de final contra a Colômbia passa a ser mais importante que essas duas vidas, o Brasil perde mais uma vez.

A derrota em campo para a Alemanha só é um reflexo da “derrota” do país. Falta de organização, planejamento, comprometimento. Impostos abusivos, corrupção, violência, desigualdade, falta de educação (em todos os sentidos). O Brasil perde todos os dias. Perde quando políticos roubam, quando a impunidade cresce. Perde quando você joga lixo no chão, não respeita o próximo e não dá exemplo. Perdemos pessoas todos os dias nas filas dos hospitais. Muitos problemas que envergonham muito mais que perder por 7 a 1.

Brasil_torcida

Começaram os jogos e este cenário mudou. Quer dizer, camuflou-se. Brasileiros se esqueceram das manifestações, da corrupção e vestiram a “amarelinha”. Foram às ruas comemorar. Ninguém mais questionou filas nos hospitais, índice de analfabetismo. Afinal, todos os problemas foram compensados pelo característico “jeitinho brasileiro”, pelo nosso improviso e simpatia.

Apesar dos percalços, as expectativas negativas foram superadas. A imprensa internacional já considera esta Copa a melhor da história. O jornal francês, Le Monde, diz que o Brasil “organiza um Mundial à sua maneira: desordenado e simpático, despreocupado e receptivo”. O correspondente Andy Hunter, do britânico The Guardian, ficou impressionado com a “paixão” dos brasileiros pelo futebol e revela: “o fanatismo pela Seleção é extraordinário. Todos, independentemente da idade, sexo ou profissão, estão vestindo amarelo ou verde e estão reunidos por sua paixão para a equipe nacional”.

O povo brasileiro encantou os estrangeiros. Somos simpáticos, acolhedores, criativos. Somos um país de grandes talentos. Mas não podemos deixar que um país com tantas riquezas seja “engolido” por políticos corruptos, por políticas públicas insuficientes e ineficazes. O futebol pode não ter dado orgulho este ano, mas outras Copas virão. No entanto, o país só será motivo de orgulho e mudará se cada um dos brasileiros tiver uma atitude pro-ativa e participativa, sendo cidadão, fazendo diferença com um voto consciente, vestindo a “amarelinha” do dia das eleições

Independentemente de quem seja consagrado campeão no próximo domingo, 13 de julho, que esta Copa sirva como lição ao Brasil e aos brasileiros. Organização e planejamento são importantes para atingir os objetivos almejados. Nem sempre o “jeitinho brasileiro” consegue dar realmente um jeito em tudo. Que cada brasileiro “vista a camisa” não só em dias de jogos ou em Copa do Mundo. Vista a camisa todo o dia, lutando por um país melhor. Que esta paixão pelo futebol se transforme em paixão pelo país. E que venham as eleições!

copa-mundo-2014

Fotos: Info Abril, Diário de Pernambuco, RVMais

Anúncios
Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , ,

O que está em jogo

Seiscentos e sessenta e cinco milhões de reais. Este número é o que o mercado de patrocínio esportivo no Brasil movimentou em 2013. Já somos mais de 200 milhões de brasileiros. Por esses números, é inegável questionar: o Futebol é paixão nacional.

Em ano de Copa do Mundo, o assunto está cada vez mais em pauta. Ontem, 17 de maio, em Belo Horizonte, uma das cidades-sede da Copa 2014, o jornalista e escritor Sebastião Martins lançou o livro “Mineirão”, pela coleção BH. A Cidade de Cada Um, da Conceito Editorial, trazendo histórias sobre o estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, inaugurado em 1965.

A coleção “BH. Cidade de Cada Um”, projeto dos jornalistas José Eduardo Gonçalves e Sílvia Rubião, reúne uma coletânea de livros que retratam com memória afetiva histórias sobre Belo Horizonte, cada um com seus elementos, peculiaridades e crônicas. “Mineirão” é o 25º título da série, no qual Tião Martins conta sobre o primeiro jogo, as histórias dos bastidores, a origem do apelido “O Gigante da Pampulha”, e a transformação de Belo Horizonte em uma metrópole após a inauguração do estádio. Atualmente, o Mineirão tem capacidade para 62.170 pessoas. Desde a sua inauguração, já foram realizados mais de 3.380 jogos com mais de 9.300 gols (até junho de 2010).

mineirão

O cotidiano do futebol brasileiro é intenso. Em janeiro, iniciam-se os campeonatos locais em todos os estados. Ainda no primeiro semestre, o país acompanha as disputas da Copa do Brasil e da Libertadores da América, além do Campeonato Brasileiro, este último, estendendo-se até dezembro. Fora a participação no Mundial de Clubes da Fifa, que eventualmente tem participação de clubes brasileiros (somente seis times daqui possuem esse título: Corinthians, Inter, São Paulo, Grêmio, Flamengo e Santos).

No Brasil, respira-se futebol praticamente todos os dias. Ele é palco de glórias e alegrias, mas também de tragédias e tristezas. A violência no futebol tornou-se tema recorrente. Algumas medidas foram adotadas para mitigar o problema. A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que fixa pena de um a dois anos de prisão para quem promover tumulto ou incitar violência, há exigência de cadastro atualizado para integrantes de torcidas organizadas, alguns jogos contam com torcida única, etc.

JOGADA

Segundo estudo do sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universo, Maurício Murad, baseado em dados fornecidos pela imprensa das principais cidades do país entre 1999 e 2008, o Brasil lidera o ranking de mortes em confrontos no futebol. Com um detalhe:  “cresceu a violência no futebol porque cresceu a violência no país. E cresceu a violência no país porque a impunidade e a corrupção são cada vez maiores”. E assim vai. Até quando?

O futebol não deveria apresentar esse cenário trágico.  Carecemos de soluções efetivas para que o estádio, palco de espetáculos, volte a ser um ambiente familiar, para que pais e filhos possam compartilhar a emoção de ver o seu craque jogando. Para que ele represente apenas aquilo que tem de melhor: a energia, a vibração, a alegria, a união e o grito de gol.

 

paisefilhosnoestadio

Fontes: Estadão, IBGE, SOUBH, Globo Esporte, Minas Arena, Minas Premium, Esporte UOL

Foto 1 – Fonte Wikipedia

Foto 2 – Fonte verdinha.com.br

Foto 3 – Fonte Globo Esporte

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
%d blogueiros gostam disto: